Divagando Devagar

Divagações ocasionais de uma mente reflexiva.

Paradoxo 29 fevereiro, 2008

Filed under: Rotineiras — INEFFABILE @ 12:36 pm

Hoje em dia pode-se quase tudo. É possível até um(a) milionário(a) viajar a turismo pelo espaço sideral…

A ciência progrediu imensamente nos últimos séculos, sobre tudo nos últimos dois.

O advento do petróleo no século XVIII mudou o mundo de uma forma nunca antes experimentada. Com o petróleo vieram os combustíveis rotineiros, os milhares de plásticos diferentes, os produtos químicos sintéticos com usos mais diversos utilizados tanto na manufatura de armas nucleares, como até em alimentos.

Pode-se viajar o mundo todo em questão de horas e as distâncias parecem até ter diminuído.

O petróleo foi por assim dizer o milagre da vida moderna, do qual o mundo tornou-se totalmente dependente. Um verdadeiro vício declarado. O petróleo, assim como todos os combustíveis fósseis tornaram-se imprescindíveis em quase todas as sociedades do planeta.

Mas, tal como a moeda possui dois lados, a luz se opõe à escuridão, o petróleo se sustenta paradoxalmente ao desenvolvimento saudável e sustentável da vida terrena.

Todo mundo já ouviu dizer que o petróleo é um recurso natural não renovável. Isto é, quando ele acabar, acabou de vez. Mas há ainda muito combustível fóssil a ser explorado e acredito que o maior problema que acompanha o petróleo não seja o prenúncio de seu fim, e sim o fim do mundo tal qual conhecemos agora.

Essa afirmação apocalíptica, apesar de dramática, não é nem um pouco enigmática. A lei de causa e efeito se aplica a absolutamente tudo e com os agentes poluidores (infelizmente) não é diferente. Há muito já se sabe que a queima de combustíveis fósseis polui, e polui muito mesmo a superfície do planeta Terra.

Imagine os efeitos dos milhares de litros de óleo que vazaram nos mares, rios e terrenos mundo a fora nas últimas décadas. Os plásticos que se acumulam nos lixões e aterros satitários. Os produtos sintéticos derivados do petróleo em sua maioria não são biodegradáveis ou se são, a degradação demora anos, séculos ou até milênios. Não é preciso de muita imaginação para vizualizar mentalmente as tragédias ambientais causadas pelos acidentes com plataformas petrolíferas, navios petroleiros ou aterros de lixo.

Embora fale-se muito em aquecimento global, mudanças climáticas, efeito estufa, poluição ambiental e outras mazelas associadas de forma avassaladora com o petróleo, pouco ainda é feito no âmbito pessoal para solucionar esses problemas.

Eu sinto que há uma crença ou esperança geral de que, se a humanidade evoluiu tanto até aqui, uma solução tão miraculosa quanto foi a descoberta do petróleo, irá surgir no horizonte, resolvendo de uma vez por todas todos os problemas causados pelo mal uso dos recursos naturais.

Eu até creio que essa inércia individual humana tenha a ver com religião. Não vou citar aqui nenhuma religião ou crença específica, mas poderia até citar as várias que pregam a omnipotência divina como solução para todos os males da Terra, liberando o ser humano da responsabilidade primordial de decidir o seu próprio destino no planeta. A hierarquia das responsabilidades desce dos céus sobre os chefes das nações, em seguida sobre os governantes locais e assim por diante. Em última instância, a culpa não é dos “pobres mortais”, mas sim “deles”, “do próximo” ou é apenas mais uma vontade de Deus. 

Talvez já seja inerente do ser humano viver com culpa e com temor. Essa é uma posição mais fácil do que tentar agir e mudar a si mesmo em primeiro lugar, aventurando-se depois em mudar o próprio lar, a forma de trabalhar e de viver.

É mais fácil viver com a culpa de dirigir o automóvel, ao invés de andar de bicicleta ou utilizar o serviço de transporte público para poluir menos o ar. Por que abrir mão do conforto oferecido pelo próprio carro? Por que deixar de beber água mineral produzida nas fontes cristalinas de outros estados ou países? Por que não consumir produtos importados? Será que o gasto ambiental por conta do transporte desses produtos de consumo não é elevado? Quem pensa sobre isso?

Não quero tratar a questão da poluição ambiental de forma simplista. Longe disso. Mas, eu acredito piamente que, da mesma maneira que as atitudes individuais de cada ser humano contribuiram para o atual estado do planeta Terra, a mudança de atitude dessas mesmas pessoas também terá um efeito global.

A direção das mudanças sempre foi de baixo para cima. Sempre foi a partir de mim, de você, do próximo para o mundo. O mundo apenas reage às nossas ações. Por isso, se nossas ações forem cada vez mais positivas, as respostas do mundo também serão.

Se a humanidade perdesse menos tempo se culpando pelas mudanças negativas no globo, e se concentrasse em progredir como individuos; e se essas mesmas pessoas deixassem de temer de forma passiva as vicissitudes apocalípticas, e tomassem para si a responsabilidade individual de construir hoje um mundo mais sustentável amanhã; com certeza a lei de causa e efeito se encarregaria de oferecer um mundo melhor a todos os serers vivos.

O paradoxo do mundo moderno não é viver com limites, e sim sobreviver de forma ilimitada.

 

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