Divagando Devagar

Divagações ocasionais de uma mente reflexiva.

O que as escolas ensinam 12 março, 2008

Filed under: Meu Querido Blog... — INEFFABILE @ 8:57 pm

No Reino Unido é parte do currículo escolar disciplinas que ensinam como cozinhar, carpintaria, marcenaria, informática, drama, além de atividades extra-curriculares (enriquecimento curricular) uma vez por semana. Estas últimas incluem técnicas de maquilagem e cabeleireiro, conserto de bicicletas, como tocar em uma banda de música etc. Há também atividades extra-curriculares opcionais, que acontecem diariamente após o horário nomal de aulas e onde ensina-se línguas estrangeiras, experiências práticas de ciências, técnicas avançadas de informática dentre outros assuntos.

Hoje eu trabalhei em uma das minhas escolas favoritas, que é uma escola católica, onde os alunos são, em geral, comportados e amáveis. Como hoje é quarta-feira, é dia de enriquecimento curricular (enrichment day) depois do almoço, durante duas horas consecutivas.

A aula que cobri foi de “Trancinhas, chapinhas e maquiagem básica” para meninas de 11 a 13 anos. Tenho que admitir que me diverti muito, pois as meninas estavam super compenetradas e envolvidas com as tarefas da aula. A turma foi dividida em duplas e cada dupla recebeu um modelo de cabeça com cabelo de verdade. As tarefas eram fazer trancinhas e tererês no modelo, depois chapinha e maquiagem discreta (corretiva) umas nas outras.

No começo da aula, uma das alunas me perguntou muito educadamente, se eu permitiria que ela conectasse seu iPod ao sistema de som da sala, assim todas poderiam ouvir música enquanto trabalhavam. Ela ressaltou que sua professora usual sempre faz esta concessão e que elas se comportariam muito bem se eu deixasse. Diante de uma negociadora tão persuasiva, permiti que ela prosseguisse e tocasse as músicas do seu aparelho de MP3 para o resto da turma. Todas as meninas adoraram e começaram a cantar as músicas enquanto trabalhavam.

Eu, por outro lado, fiquei abismada com a seleção musical. Todas eram músicas muito conhecidas, mas as situações cantadas nas músicas eram altamente inapropriadas para meninas daquela idade, principalmente na escola (principalmente em uma escola católica!). Mas não fiz nada e deixei o som rolar do jeito que elas queriam. Afinal, elas sabiam todas as letras e até algumas coreografias.

A aula seguiu então ao som da Lilly Allen, que pegou o namorado “fucking that girl next door” em “Smile”; Amy Winehouse que não vai para a reabilitação de jeito nenhum em “Rehab”; Nelly Furtado que é uma garota promíscua em “Promiscuous Girl”, e assim por diante.

Me senti antiquada. Mas, a verdade é que quando eu era da idade delas eu cantava as aventuras do traficante Santo Cristo em “Faroeste Caboclo” do Legião, me juntava à multidão xingando a Silvia de piranha e puta com o Camisa de Vênus e dançava o “Rap das Aranhas” do DJ Malboro (versão do “Rock das Aranhas” do Raul Seixas).

Conclusão: países diferentes, épocas diferentes, músicas diferentes, mesma fase.

 

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