Divagando Devagar

Divagações ocasionais de uma mente reflexiva.

Segredos 15 março, 2008

Filed under: Confissões — INEFFABILE @ 10:30 pm

Nesses últimos dias tenho refletido batante sobre os segredos. Será que há alguém no mundo que não os tenha? Me refiro a uma pessoa adulta, é claro. E se houver esta pessoa, como será que deve ser viver uma vida sem segredo algum?

Eu carrego comigo tantos segredos…  Os dos outros e os meus. Na verdade, durante a minha reflexão, me surpreendi ao concluir que carrego mais segredos dos outros do que os meus próprios.

Os segredos de traição são os mais populares no meu repertório secreto. Não só envolvem amantes, mas também traições entre amigos.

Há também o filho secreto, a gravidez abortada, o furto, a violência física, os peitos de silicone, a vida familiar anormal, o membro adotivo da família e a doença terminal indeclarada.

Todos esses segredos me foram confiados de boa-fé e comigo permanecerão hermeticamente protegidos pelo resto da minha vida.

O por quê das pessoas terem me confiado seus segredos mais delicados ainda me intriga.

Ainda posso visualizar mentalmente as expressões faciais das pessoas ao me revelarem seus segredos mais entranhados. Geralmente há uma mistura de medo, euforia e tristeza. Há também alívio, e algumas vezes a erupção de emoções resulta até em vômito. Mas, o último olhar ao me deixarem para trás parece ser unânime e deve querer dizer algo do tipo: “olha lá o que você vai fazer com isso que te contei” ou “a minha vida está agora em sua mãos”. O papo normalmente termina com a frase “por favor, não conte nada a ninguém”, como se eu me tornasse repentinamente uma ameaça.

Mas os segredos mais pesados que carrego comigo são os meus próprios. E, embora tenha apenas um par deles, posso dizer que eles pesam bantante. São segredos confessados de situações ainda mal digeridas.

Apesar de considerá-los como um fardo, eu procuro me lembrar em todos os momentos de que sempre tive a liberdade de fazer as minhas escolhas e por isso mesmo, tenho que arcar com as consequências dos meus atos sem lamentações e com dignidade.

Durante uma sessão de desabafo, um amigo uma vez me disse: “o problema de fazer merda é arcar com os efeitos da merda feita. Temos que fazer a merda pensando nas consequências e avaliando constantemente se seremos ‘machos’ o suficiente para assumir os erros e aguentar as consequências”.

É isso mesmo. Concordo.

Concluí também que não há segredos sobre coisas boas ou que, pelo menos, nunca soube de um.

Talvez os segredos sejam da natureza humana. Talvez não haja quem não tenha um segredo. Mas eu ainda me pego indagando se há alguém neste planeta que não tenha um segredo e como seria viver uma vida sem segredo algum.

 

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