Divagando Devagar

Divagações ocasionais de uma mente reflexiva.

Feminismos 17 abril, 2008

Filed under: Rotineiras — INEFFABILE @ 3:20 pm

 

Eu não me considero feminista “de carteirinha”. Não me interpretem mal as amigas. Muito menos pensem os amigos que eu sou machista. Se há algo que eu não gosto é de rotulação.

Enquanto trabalhava em um artigo ontem na universidade, ouvia atrás de mim uma discussão acirrada entre meus colegas do doutorado. A questão era que alguém no departamento havia mencionado que a produção científica em termos de artigos publicados, era menor entre as mulheres. Um fato sabido por todos no meio científico.

As minhas colegas, no entanto,  “se defendiam” das “acusações” dos colegas, afirmando que as mulheres não têm tanto espaço no meio científico e acadêmico quanto os homens. Além disso, as mulheres engravidam e precisam tirar licença maternidade para cuidar da cria. Isso muitas vezes resulta na falta de tempo para a pesquisa e às vezes até, na perda do emprego. Inflamado com o comentário, um colega disse que se achava injustiçado porque os homens não têm o mesmo tempo de licença paternidade que as mulheres.

Eu ouvia tudo aquilo calada, até porque o que eu queria mesmo era terminar o meu artigo, que está emperrado há 3 anos. Mas me abismava o fato de que todas as pessoas envolvidas na discussão não tinham filhos, tão pouco haviam publicado algum trabalho nos últimos anos. Eu só queria que não perguntassem a minha opinião.

Um dos colegas, que é africano e mulçumano, resolveu entrar na discussão. Ele sim, tem esposa e filhos. E para piorar a situação, disse que sua esposa não trabalha fora, é submissa, fica em casa cuidando dos filhos e é, no conceito dele, feliz. Um outro colega, que é grego, também resolveu compartilhar que em sua família ele é o chefe, naturalmente porque é homem. Ambos complementaram dizendo que, no Reino Unido as coisas são diferentes, mas cada um vive do jeito que quer viver e tem o direito a ser feliz dentro do seu próprio padrão de felicidade.

De repente, o pior aconteceu: “Aline, como são os homens e mulheres no Brasil?”. Respirei fundo e disse: “lá é uma cultura predominantemente machista”. Me calei. Me perguntaram novamente: “mas o que você acha da sociedade machista?”. “Well” – eu disse – “eu sou contra injustiças. Sou contra segregação racial, social, econômica, sexual etc. Não vou brigar com ninguém só porque ele/ela acha que lugar de mulher é na cozinha. Se a mulher é feliz como dona de casa, ótimo para ela. Mas se ela quiser ter outro espaço e a sociedade não deixar, então tem que partir para a porrada mesmo!”. E completei: “mas eu não sou feminista; eu sou pró-mulher, pró-homem, pró-gente.” Acho que o meu discurso não agradou a ninguém, mas, disse o que queria e voltei para o meu trabalho. Cada um com seus problemas!

Eu fui criada de uma maneira onde aprendi a ser independente. Ser independente para mim significa ter o próprio espaço. Eu conquisto o meu espaço através do meu esforço. Sempre foi e sempre será assim. Nunca me senti discriminada por ser mulher, mas sei que isso acontece demais. Acho que quando a discriminação acontece, a pessoa injustiçada ou quem vê a injustiaça sendo cometida, tem que meter a boca no trombone. Assim a luta é válida e se alicerça em uma situação.

Homens e mulheres são diferentes fisicamente, biologicamente e fisiologicamente. Porém devem ter os mesmo direitos diante da sociedade, perante a vida.

Um amigo uma vez me mandou uma piada explicando que o homem é infiel por natureza e que a mulher tem que entender essa tendência masculina. Em resposta, eu enviei uma mensagem com uma lista de razões que fazem da mulher tão infiel/ fiel quanto o homem. A recíproca é, por tanto, verdadeira.

Para mim, o feminismo do tipo que alimenta qualquer ódio é tão demodê quanto o machismo. As pessoas devem sim se preocupar e fazer alguma coisa contra as injustiças, que começam muitas vezes dentro de casa e tomam o mundo feito um câncer maligno.

Abaixo os rótulos!

 

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