Divagando Devagar

Divagações ocasionais de uma mente reflexiva.

Sobre as Perdas 25 abril, 2008

Filed under: Reflexão da Semana,Rotineiras — INEFFABILE @ 6:35 pm

 
A cada volta que a Terra dá ao redor de si mesma, um futuro novinho em folha nos aguarda em cada curva. Embora eu procure manter as minhas expectativas com relação ao futuro baixas, eu alimento diariamente a minha fé em um amanhã promissor.

Dentre as possibilidades que o futuro nos reserva, a de perder algo ou alguém querido é sem dúvidas a que mais me aflige. Contudo, ela é provavelmente a única inevitável. Ela se apresentará na passagem de um ente querido, no rompimento de uma relação, na perda de um emprego ou de um objeto de afeição ou em mudanças que venham a afetar o meu posicionamento diante do mundo. Assim, as perdas parecem ser tão naturais quanto os ganhos.

No entanto, não é fácil lidar com as perdas, pois elas costumam doer muito no coração e no ego. A maneira como lidamos com elas é, porém, o que determina a extensão do estrago que elas deixam em nossas vidas.

Desapegar-se das coisas e das pessoas certamente constitui uma forma exitosa de sofrer menos por causa de perdas. O desapego pode até eliminar a dor da perda totalmente. A questão central do desapego é ‘como desapegar-se?’.

Em um texto Budista uma vez encontrei: “aquele que segura é quem está preso”. Não é preciso muita reflexão para constatar que esta máxima é verdadeira. Por exemplo: ao perdermos um ente querido, temos a opção de darmos a volta por cima e de serguirmos com nossas vidas adiante. Com saudades, mas sem sofrimento. Para tanto, precisamos deixar a pessoa ir, soltá-la. A outra opção é pelejarmos indefinidamente por causa da falta que a pessoa faz. Vivermos em sofrimento contínuo, mesmo sabendo que a pessoa se foi e não mais voltará. Neste segundo caso, quem ficou resolveu prender-se à dor; é quem segura e é quem está preso.

O Budismo é, na minha opinião, a doutrina religiosa que reúne os ensinamentos mais preciosos, práticos e atuais para aqueles que querem aprender a viver bem e em paz; lidando com perdas e ganhos de forma consciente e desapegada.

Na impermanência de tudo o que existe, a única coisa que temos de fato é o agora.

Não duele com o passado, não sonhe com o futuro, concentre a sua mente no momento presente” (Buda).

 

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