Divagando Devagar

Divagações ocasionais de uma mente reflexiva.

Torcer = Sofrer 1 maio, 2008

Filed under: Tormentas — INEFFABILE @ 10:48 am

Quem gosta de futebol e torce por um time, conhece paixão, euforia, rivalidade e o fundo do poço.

No Brasil o meu time é o Fluminense, aqui na Inglaterra, é o Liverpool.

Há quase duas semanas, o meu Flu perdeu a final da Taça Rio para o Botafogo. Thiago Neves – um dos meus jogadores favoritos do momento, bateu um pênalti e acertou a trave. Uma dor visceral incrível para todo torcedor! Por mais irritante que seja ouvir ‘quem não faz, leva’, naquele dia tive que engolir a dita frase à seco.

Acompanhei o jogo pela internet, através da Rádio Globo do Rio de Janeiro online. Entre uma locução entrecortada e quedas de conexão, passei mais de 90 minutos sentada em frente ao meu computador, sofrendo com a dependência da narrativa dos comentaristas. No fim do suplício, só restou mesmo tristeza e frustração por não ter conseguido chegar à decisão do Estadual do Rio. O negócio agora é manter a fé em alta para encarar as oitavas da Libertadores e o início do Brasileirão em 10 dias.

Que vença o Flu e que NUNCA ganhe o Fla!

Ontem foi a vez de sofrer pelo Liverpool. Foi o segundo jogo da semi-final da Liga dos Campeões contra o Chelsea, que foi nosso ‘freguês’ nas últimas quatro temporadas. No primeiro jogo, no Anfield semana passada, conseguimos realizar a façanha de marcar um gol-contra aos 50 minutos do segundo tempo. Ninguém merecia aquilo…
Foi como uma banho de água gelada no meu entusiasmo. Mas como a esperança é sempre a última a sair de campo, eu esperava que ontem fôssemos nos recuperar na casa do oponente – tarefa sempre difícil, mas possível.

Assisti o jogo em casa com meu amigo Mark. O Tom estava preso no aeroporto de Málaga e após um dia difícil de trabalho lá, tudo o que ele mais queria era voltar para casa para assistir o jogo conosco. Mas o vôo estava muito atrasado e ele iria passar passar todo o tempo da partida no ar. Ele soava moribundo ao telefone…

Início do primeiro tempo. Desde os primeiros minutos, o Chelsea já mostrava superioridade, menos erros de passe e boas finalizações. O clima tenso no campo se estendeu até a minha sala. Como bons técnicos de futebol, eu e Mark discutimos as mudanças que seriam necessárias para melhorar o desempenho do Liver. Entre goles de cerveja, xingamentos variados e ondas de nervosismo, vimos o Chelsea marcar um golaço no primeiro tempo e a torcida do Liverpool se calar.

Segundo tempo. Conforme a situação do Liver ficava mais difícil, o sotaque liverpooliano do Mark piorava. Os palavrões se abundavam em nossas bocas e gritávamos de agonia, até que alguém tocou a campainha. Era Martina, a namorada do Mark, que havia chegado e com ela o primeiro gol do Liver! Gritamos e pulamos de alegria e corremos para abraçar o nosso ‘amuleto da sorte’!

Mas faltava ainda mais um gol para chegarmos à final da Liga dos Campeões em Moscou e as mudanças que o técnico Rafael Benitez fez não foram as mudaças que eu e Mark pedimos. Nós queríamos Crouch no lugar de Alonso e não Pennant no lugar de Benayoun.  Queríamos 4-3-3 e não 4-4-2!

Chegou a prorrogação (do sofrimento) e o nosso time entrou em campo sem o meu amor espanhol – Fernando Torres. Onde o Rafael estava com a cabeça quando o substituiu por Babel? Não era isso que havíamos pedido, Rafa! Como vencer uma partida com apenas um artilheiro e o resto do time esgotado? Rafael, Torres é o melhor jogador do Liver (além de ser lindo de morrer!). Aquilo desceu com dificuldade em nossas gargantas. Tivemos que ver um time nervoso cometer um pênalti sobre Lampard, que marcou um gol em homenagem à sua mãe que faleceu no final de semana passado. Minutos depois, o árbitro fingiu que não viu um pênalti sobre Hyypia – árbitro de futebol é uma mala sem alça mesmo. Ainda mais quando comete um erro grave em uma decisão. Se um dia tiver um filho, ele ou ela poderá ser tudo, menos traficante de qualquer coisa e árbitro de qualquer esporte.

Pedimos para Martina sair, voltar, sair, voltar, mas de nada adiantou. Com um outro golaço, Didier Drogba selou a classificação do Chelsea para a final da Liga. Faltando uns 3 minutos para o final do jogo, Babel marcou um segundo gol para o Liver, mas já era tarde demais. O jogo acabou e eu escrevi uma mensagem para o celular do Tom dizendo: – WE FUNCKIN’ LOST.

 

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