Divagando Devagar

Divagações ocasionais de uma mente reflexiva.

Missão Telefonema 22 julho, 2008

Filed under: Contos D'outra Vida — INEFFABILE @ 1:28 pm

Noutro dia recordava junto com meu amigo Ávila, uma aventura que vivemos em um lugarejo remoto no litoral cearense.

Fazíamos parte na época de um projeto ambiental do governo do estado do Ceará. Por conta de um defeito no carro em que viajávamos, paramos em uma comunidade chamada Preá, onde naquele tempo não havia eletricidade nem telefone. Passaríamos a noite em uma pousadinha muito rústica, pertecente a um pescador local. Era comum nessas viagens dormir em instalações bem simples.

Na primeira noite que passamos na praia do Preá eu quis ligar para casa, pois fazia dois dias que não dava notícias à minha família. Conhecendo-os bem, eu imagiva que eles estariam preocupados. Um outro amigo – Douglas – também comentou que gostaria de dar notícias à sua esposa. Assim, perguntamos ao dono da pousada onde poderíamos encontrar um telefone público não muito distante dali. A resposta foi ótima:
– “Você vai seguir em direção às dunas. Você vai passar a primeira e a segunda duna. Na terceira duna você encontrará um orelhão“.

A visualização mental de um orelhão no topo de uma duna era um tanto surpreendente para mim. Ainda assim, demos início a missão telefonema. Eu, Douglas e Ávila partimos em direção às dunas. Era noite de lua cheia e somente ela iluminava o nosso passo.

Alguns minutos mais tarde, quando estávamos caminhando sobre a primeira duna, Ávila comentou que estava sentindo a presença de espíritos errantes à nossa volta. Eu não sentia nada, mas estava feliz por estar acompanhada dos meus amigos praticantes de jiu-jitsu.

Lá pelas tantas, quando finalmente chegamos ao topo da terceira duna, encontramos uma palhoça. Para a nossa surpresa não havia orelhão algum. Ao longe e vindo rapidamente em nossa direção, avistamos um bugre. Não dava para saber quantas pessoas haviam nele, mas certamente era mais de uma. Diante da “ameaça iminente”, os meninos disseram para me esconder atrás da palhoça e ficar lá até sinalizarem o contrário. Assim o fiz. Me escondi atrás da palhoça e aguardei que meus amigos fossem atacados pelos bandidos do Preá. Já estava apavorada quando eles me chamaram de volta e os vi batendo papo com os “malfeitores”; que gentilmente nos informaram que se seguíssemos um pouco mais adiante, encontraríamos uma rua com um orelhão.

Ao chegar na rua – totalmente deserta – vimos pela primeira vez um telefone! Corremos para ele e, acredite se quiser, ele estava quebrado.

Rimos da nossa sorte. Cruzamos as três dunas no caminho de volta para a pousada e lá chegando contamos aos outros amigos a nossa aventura.

Certamente é algo para lembrar…

 

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