Divagando Devagar

Divagações ocasionais de uma mente reflexiva.

Tragédia, desilusão e esperança. 5 agosto, 2008

Filed under: Rotineiras — INEFFABILE @ 10:48 am

No começo da semana passada peguei uma praia de final de tarde com uma amiga, que por acaso me contou sobre uma relação bem problemática que ela vivenciou há muitos anos atrás. A sua história de amor terminou em tragédia, com o suicídio de seu companheiro. Enquanto ela me narrava os detalhes daquela fase tão turbulenta de sua vida, eu tentava esconder a minha surpresa ao descobrir que ela havia passado por aquela situação horrenda. Imagine só chegar em casa e encontrar o seu companheiro morto! Fiquei sem palavras e lamentei muito a sua perda. Aquela conversa não saiu da minha cabeça durante o resto da semana e me ajudou a compreender um pouco o olhar às vezes melancólico da minha doce amiga.

No dia seguinte ao chegar em casa do trabalho, entrei no messenger e lá encontrei a minha irmã caçula. Começamos a bater papo sobre a nossa família, trabalho, estudos, baladas, homens, etc. Ela tem alguns casinhos no momento, mas nada sério com ninguém. Faz tempo que ela anda impaciente com a sua solteirice, mal podendo esperar para ter um namorado fixo; alguém para compartilhar as coisas do dia-a-dia. Ela achou que havia encontrado o tal cara muitas vezes, mas sempre concluía que era alarme falso. O problema é que, com ela, conforme o tempo passa, a sua esperança de ter um namorado diminui. Paciência não é uma de suas virtudes e ela tende a permanecer com o aspecto negativo das situações.
Eu tentava convencê-la de que ela encontraria a “tampa de sua panela” e que isso seria apenas uma questão de tempo. Foi quando ela me soltou a pérola: – “eu vou envelhecer sozinha”. Eu li com descrença aquela afirmação. Segundos depois, gargalhei. Achei ridículo constatar tamanha falta de esperança em alguém tão jovem, bonita e cheia de vida como a minha irmã. Na qualidade de irmã mais velha, tentei consolá-la compartilhando algumas de minhas experências de solidão. Porém, não podia negar o fato de que, apesar de também ser muito impaciente, esperança é algo que nunca me faltou. Eu não sabia; eu tinha certeza de que encontraria a “tampa da minha panela”. E encontrei várias, até o dia em que achei aquela bem perfeitinha para mim.
O nosso papo terminou com um tom positivo, mas me alertou para o fato de que não importa o quão favorável as circunstâncias sejam em nossa vida; o que decide o nosso estado de felicidade é o nosso posicionamento diante do mundo. Somos passivos ou somos diligentes.

Saí da internet e liguei para um amigo que havia acabado de chegar de férias. Eu queria saber sobre as novidades de sua estada em Málaga. Mas antes que ele me contasse qualquer coisa sobre as praias ensolaradas do sul da Espanha, ele já foi me dizendo que havia terminado o namoro.

Senta que lá vem mais história – pensei.

A sua relação já vinha minguando fazia um tempo e eventualmente chegaria ao fim.
O chato foi que o seu namorado – que havia ficado em casa enquanto o meu amigo curtia férias – resolveu deixar o apartamento sem dizer nada. Meu amigo chegou em casa apenas para encontrar o vazio deixado pela deserção do seu companheiro. Encontrou apenas o gato, que parecia estar mais doido do que antes.
Málaga ficou, de repente, desinteressante. Numa tentativa de levantar a bola do meu chapa, o convidei para vir passar o final de semana comigo em Brighton. Seria o final de semana do Pride – maior evento de celebração gay do Reino Unido e talvez da Europa. Como meu amigo é gay, achei que o convite seria irresistível.
E foi mesmo. No sábado seguinte ele chegou sem saber direito o que esperar. Eu e meu marido o levamos a um parque onde acontece a maior parte da programação diurna do Pride. Lá chegando, nos deparamos com aproximadamente 80 mil pessoas, das quais eu acredito que pelo menos 90% eram homossexuais. Parecia uma grande rave, com muita música eletrônica, muita cor, muitas Drag Queens, muitos corpos à mostra e muito alto astral. Caímos na gandaia e em pouco tempo meu amigo parecia ter esquecido a sua dor-de-cotovelo. Ele havia virado caçador de novo e a nossa farra rolou até altas horas da madrugada.
No dia seguinte fiquei sabendo que Málaga é uma região belíssima, com muita história, praias de águas claras, muitos bares e nessa época do ano, insuportavelmente quente!

As experiências compartilhadas das pessoas que nos são próximas, são sempre uma fonte inesgotável de aprendizado. Quando achamos que estamos ajudando alguém com um conselho ou palavra amiga, estamos muitas vezes sendo ajudados. Muitas respostas para nossos questionamentos emergem da vivência alheia. Mas é preciso estar atenta para não perder a oportunidade de enxergar a lição de vida por trás da vivência dos outros.

 

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