Divagando Devagar

Divagações ocasionais de uma mente reflexiva.

A Estrada Para Paris I 25 outubro, 2008

Filed under: Meu Querido Blog... — INEFFABILE @ 6:16 pm

O despertador não tocou de manhã e acordamos atrasadas. No hall de entrada do hotel, Sylvia já estava à nossa espera.

Luanda amanheceu com um olhar triste e tenso. Em pouco tempo nos aprontamos para irmos buscar as suas coisas em seu antigo apartamento em Mulhouse.

Eu me sentia um pouco apreensiva pela minha amiga; ao mesmo tempo estava ansiosa para conhecer o ‘famoso’ Vincent, o homem que a Lu ama tão profundamente e que a deixou por outra mulher, de maneira dolorosamente prática.

Após um hora de viagem de Strasbourgh a Mulhouse, chegamos ao prédio em uma ruazinha charmosa.

Lu subiu sozinha ao apartamento, enquanto eu e Sylvia a esperamos na rua, preparando o carro para receber a mudança.

Minutos mais tarde, Lu e Vincent desceram juntos carregando uma mala gigantesca. Eu o observei minuciosamente e na minha opinião, ele não poderia ter uma aparência mais francesa; quase uma caricatura.

Vincent é um homem bonito, mas não tão bonito quanto a Lu pensa que ele é. Ele me cumprimentou educadamente. No entra e sai do prédio para encher o carro com malas, sacolas e caixas, eu percebi que ele manteve um semblante muito frio, sem transparecer qualquer emoção.

‘Frio’ – este é o adjetivo que Luanda sempre utilizou para me descrever o seu namorado (-ex). Não entendo muito como ela se apaixonou por alguém tão inexpressivo. Certamente ele possui um lado que eu desconheço…

Enquanto ela removia suas coisas do apartamento, ela encontrou sinais deixados pela nova namorada do Vincent. Eram cremes, perfumes e peças de roupa.

Carregamos o carro completamente e com um à bientôt seco nos despedimos de Vincent.

Já na estrada, Luanda comentou que estava com vontade de chorar, mas que não estava conseguindo.
Ela não chorou. Nos falou algumas palavras sobre como se sentia; sobre como havia sido especialmente difícil encontrar as coisas da nova namorada do Vincent no lar que um dia fora seu. Ela calou-se por um tempo e ao falar novamente, compartilhou que apesar da tristeza, ela agora se sentia livre. Foi quando ela abriu o vidro do carro e gritou para o mundo inteiro ouvir: “Je suis célibataire!!!”.

À nossa frente uma placa informou: Paris 585km.

 

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