Divagando Devagar

Divagações ocasionais de uma mente reflexiva.

Pelados na Estônia 31 julho, 2010

Filed under: Rotineiras — INEFFABILE @ 3:44 pm

O meu primeiro dia na Estônia foi inesquecível. Encontrei Ray após quase um mês de separação geográfica. Estávamos roxos de saudade um do outro! Ele me buscou na estação rodoviária de Tartu, a segunda maior cidade do país e onde parte de sua pesquisa é desenvolvida. De lá seguimos para encontrar alguns de seus amigos e mais tarde iríamos todos para uma cabana de madeira à beira de um lago localizado a cerca de 20 km da cidade.

Ray havia me dito que seu amigo nos emprestaria a cabana para o final da semana, mas que na primeira noite ele gostaria de me oferecer um churrasco de boas vindas. Diante de tanta gentileza, esqueci o cansaço resultante de mais de 20 horas acordada e me entreguei à festa.

Às 23hs o sol já havia se posto, mas a luz do dia ainda brilhava como se fora fim de tarde. Um barato!
Muitas cervejas mais tarde, chegou a hora da sauna – a famosa e imprescindível sauna estoniana (que é também muito apreciada na Rússia, nos outros países bálticos e na Escandinávia). Já ia me preparando para a sauna quando notei pelo menos uns 20 homens pelados, incluindo o meu noivo. Ele já havia me alertado de que era natural ir à sauna totalmente despido. Mas embora eu racionalmente aceitasse o costume secular, talvez milenar, não nego que fiquei chocada ao ver tanta gente pelada conversando!

Resolvi não ir à sauna e ficar sentada sozinha numa pequena sala vizinha. Ray veio me perguntar se estava bem e me divertindo; claro que ele estava pelado. Disse que estava um pouco chocada e que queria ficar ali porque não sabia como me comportar naturalmente. Embora não tivesse o propósito de olhar para o pênis de ninguém, era impossível não vê-los e me sentia desconfortável por achar que alguém notaria a minha reação. De repente, o dono da casa, Henri, veio conversar comigo; claro que ele estava pelado. Tudo o que passava pela minha cabeça era: “meu irmão, acabei de te conhecer; não fale comigo pelado!”. Mas como eu estava sendo super matuta, bati um papo com o anfitrião.

As pessoas saíam da sauna e iam se esfriar no lago, depois retornavam à sauna por mais alguns minutos. Este ritual durou cerca de 2 horas e me perguntava todo o tempo: “será que um dia vou aderir à sauna peladona?”.

As mulheres entraram na sauna de biquíni e ao saírem lhes perguntei sobre este costume, que considerei bizarro. Elas disseram que normalmente só vão à sauna peladas se estiverem na companhia de amigos (homens e mulheres). Completaram dizendo que a sauna é tão quente que não dá para pensar em sexualidade ou sensualidade.

Conclui então que, sauna na Estônia é um lugar para relaxar e, sobretudo, despir-se do gênero. A sauna é um lugar para ir com amigos, amigas e família. Todo mundo peladão!

No dia seguinte, eu e Ray estávamos à sós e fui experimentar a sauna da cabana pela primeira vez. Após alguns minutos chegou a hora de ir tomar banho no lago para esfriar. Estava pelada e assim fui nadar. Senti-me super constrangida ao perceber que havia uma família próxima de onde estávamos e eles naturalmente olhavam para nós, digo, para a minha bunda.

Talvez um dia me dispa do tabu da nudez pública, mas ainda me sinto longe de sentir-me à vontade com a minha nudez e com a nudez dos outros.

 

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