Divagando Devagar

Divagações ocasionais de uma mente reflexiva.

A Chegada de Natalee 7 abril, 2011

Filed under: Contos D'outra Vida — INEFFABILE @ 4:03 pm

Ultimamente, tenho recordado muitas passagens da minha vida.
Uma das últimas, foi lembrar do nascimento da minha irmã Natalee. Ela nasceu com 8 meses através de uma cesariana, mas eu não lembro dos detalhes. Eu tinha apenas 7 anos e aguardava com ansiedade a sua chegada.

Por conta de um problema de incompatibilidade de fator Rh, os anticorpos da minha mãe combateram a existência da minha irmã, literalmente. Eles entraram em sua corrente sanguínea determinados a destruí-la. Para o sistema imunológico da minha mãe, minha irmã era um corpo estranho e necessitava se aniquilado. Claro que todo este processo foi extremamente traumático para meus pais e para a minha recém-nascida irmãzinha. Com o trabalho árduo de uma equipe de médicos fantásticos, no decorrer de vários dias, Natalee sobreviveu sem nenhuma seqüela aparente. Após um tempo, minha mãe e irmã puderam retornar para casa.

Eu ainda lembro que, em meio àquela situação, o meu pai veio conversar comigo uma noite. Estávamos deitados na rede da nossa varanda e ele me contava que talvez a minha irmãzinha fosse virar um anjinho e não viria para casa. Ele me contava aquilo com a voz embargada e eu não sabia o que pensar ou dizer. Talvez eu não soubesse nem o que ele queria dizer.

Quando minha mãe e irmã chegaram em casa, a celebração foi total. Família e vizinhos as aguardavam com alegria e alívio. Porém, meus pais tiveram que encarar um outro problema. Por conta do nascimento prematuro e pelo fato de Natalee ter ficado dias em uma incubadora, minha mãe não produziu leite. Pelo menos não o suficiente. A única alternativa seria alimenta-la com leite em pó para recém-nascidos. Mas em meio aquele drama, tantas pessoas generosas surgiram em nossas vidas.

Eu lembro desta moça, provavelmente da mesma idade da minha mãe, que se chamava Maria das Chagas ou Chaguinha para os amigos. Ela havia acabado de dar à luz a sua filhinha e a estava amamentando muito bem. Na verdade, a Chaguinha tinha leite até demais! Ela então ofereceu à minha mãe encher as mamadeiras da Natalee com seu leite materno. Durante um tempo, que não recordo o quanto, a Maria das Chagas amamentou a sua filha e a minha irmã.

Ela era uma mulher muito simples, sobre a qual eu sei quase nada. Sei que ela morava perto de nossa casa, mas não sei quem ela era ou de onde vinha. Lembro também que sua filha freqüentou a mesma escola que minhas irmãs e irmão, e hoje em dia deve ser uma mulher como a minha mana Natalee.

Natalee cresceu linda, muito sapeca, faladeira e inteligente. Às vezes eu reclamava aos meus pais dizendo que “eu queria uma irmã, não uma capetinha para me encher o saco!“.

Eu serei eternamente grata a todos os médicos, enfermeiras e à Chaguinha por terem feito a vinda e estada da minha irmã neste mundo possível.

Há alguns dias atrás, eu descobri que o meu tipo sanguíneo é A-negativo, por isso, o meu bebê poderia passar pela mesma dificuldade que passou a Natalee. Mas hoje em dia há uma vacina que prepara o organismo para a eventualidade de ter um bebê com Rh+. Por isso nem eu e nem ninguém precisará passar por aquele mesmo sufoco.

 

3 Responses to “A Chegada de Natalee”

  1. natalee cerqueira Says:

    Eu simplesmente TE AMO e louvo ao senhor que me concedeu a benção de ter uma irmã “magrelita” como você, viu?! Mesmo longe fisicamente, sempre tão perto! Obrigado por cada dia ao seu lado… muitooo amo você.

    • Nadege da Silva cerqueira Says:

      Pois é minha filha, vc me fez chorar com suas lembranças, lembranças de uma época feliz. Claro que como vc diz naquela época foi um grande sufoco que passamos, mas graças a DEUS encontrei muita gente boa na minha vida e que vou ser eternamente grata por tudo que eu recebi. Espero em DEUS que essa criança venha com muita saúde e trazendo muita felicidade para todos nós. E com certeza estarei ai junto com vc para recebe-la, se DEUS assim quiser. te amo. Bjsss

      • Nadege da Silva cerqueira Says:

        Eu quis dizer, que naquela época foi um grande sufoco, espero que tenha entendido. Bjss


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