Divagando Devagar

Divagações ocasionais de uma mente reflexiva.

A natureza humana 9 agosto, 2011

Filed under: Reflexão da Semana — INEFFABILE @ 11:48 pm

Há um tempo atrás, eu ouvia uma das palestras do Dr. Wayne Dyer, um cara que considero muito inteligente, amoroso, vanguardista e bem humorado. Nesta palestra, Wayne menciona que a maioria dos grandes pensadores, cientistas, filósofos e ativistas do passado foram perseguidos, punidos, assassinados, marginalizados, desacreditados, humilhados e/ou considerados loucos. No entanto, hoje em dia os consideramos gênios e mártires.

A natureza humana questiona tudo aquilo que é inovador, às vezes com imenso ceticismo; e, ao mesmo tempo que a mente humana é capaz de sonhar o incrível e mais arrojado sonho, o medo da mudança parece ser arraigado bem no cerne do Homem.

Sonhar faz parte de natureza humana, assim como faz parte também o medo de tornar sonhos em realidade.

Faz muitos anos, décadas mesmo, que a violência me incomoda profundamente. Creio piamente que a natureza humana seja violenta, do contrário a violência não existiria. Mas não são também o amor e a candura d’alma naturais do Homem?

Eu nasci e cresci bem no centro da cidade do Rio de Janeiro, numa área que era meio barra pesada. Acordei muitas noites ao som de tiroteio, ouvi histórias de violência atroz, eu vivia com medo. Incrível como a natureza humana é também altamente adaptável. Quem vive no Rio aprendeu a se costumar com a banalização da violência, categorizando-a nos seguintes níveis: aceitável, suportável, não-me-afeta, me-afeta-indiretamente, me-incomoda, me-afeta, me-aterroriza, me-ameaça e me-atinge.

Quase todo carioca já vivenciou cada uma dessas categorias pelo menos uma vez na vida. E apesar disso, o que o Carioca faz? Como ele vive?

Bem, ele se adapta, migra ou morre (por morte violenta).

Mas da onde sai a violência? Violência é diferente de agressão? Violência é resultado de transtornos psicológicos, mentais ou emocionais? É resultado da desigualdade social, econômica ou cultural? Resulta do instinto, da alma ou da falta de moral? Ou será que resulta da maldade? Talvez a verdade sobre a violência resida um pouquinho em cada uma dessas possibilidades. Aquele que nunca tiver sido violento pelo menos uma vez na vida que atire então a primeira pedra. Bingo! Até a nossa natureza física é violenta, pois nascer é um processo altamente doloroso, assim como é crescer e morrer.

Mas não é meu objetivo justificar ou fazer apologia à violência. É que relaciono violência com sombra e sem sombra como pode haver luz?

Tive o privilégio de participar de um workshop xamânico há anos atrás cujo título era “Sombra e Luz”. O foco deste trabalho foi justamente identificar o lado sombrio que existe em nós, assim como o lado iluminado. Ambos coexistindo de maneira antagônica e ao mesmo tempo complementar. A maioria das pessoas não gosta de seu lado sombrio (“O Lado Negro da Força”), mas ele é tão parte de nós como são nossas pernas, braços e orgãos. Negá-lo é “andar aos pedaços”, mas percebê-lo e aceitá-lo abre espaço para transformá-lo em algo melhor…

Agora, voltando aos gênios e mártires, como admiro com profundo respeito os grandes protagonistas do movimento de desobediência civil: Mahatma Ghandhi e Martin Luther King. Eles que mudaram gerações do mundo inteiro de maneira pacífica, deixando um legado digno de adoração. Ambos foram assassinados…

Malcom X, em sua luta violenta contra o racismo nos EUA, teve a chance de reconhecer anos mais tarde que ele era também preconceituoso com relação aos brancos. Em uma passagem emocionante de sua vida, ele foi até Meca em peregrinação. Lá chegando, homens de todas as cores e raças estavam reunidos por uma crença, vestindo as mesmas roupas. Meca foi onde ele finalmente sentiu em seu coração o significado de igualdade e ao voltar aos EUA ele mudou o seu discurso buscando reconcialiação entre negros e brancos. Pouco tempo depois, ele também foi assassinado.

A natureza humana é flexível ao mesmo tempo que é intransigente.

 

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