Divagando Devagar

Divagações ocasionais de uma mente reflexiva.

Sobre o racismo 31 agosto, 2014

Filed under: Reflexão da Semana,Rotineiras — INEFFABILE @ 9:41 am

Será que o brasileiro está se tocando, finalmente, sobre o quão racista é? Porque é racista e muito! Em algumas regiões mais que em outras.

Me toquei sobre a existência do racismo ainda muito pequena, no Rio, quando ouvi meu tio, em tom de reclamação, dizer: “preto correndo é bandido; branco, está fazendo cooper“. Como nasci e cresci em uma área relativamente pobre, a zona portuária carioca, quase todo mundo era ou mestiço como eu ou negro. Na minha escola, pública, havia uma boa mistura racial, inclusive, muitos estrangeiros também. Um barato!

Na Bahia, percebi que há também o racismo contra brancos. Mesmo sendo mestiça, lá me chamavam de branca e diziam que eu falava estranho. Era o meu carioquês. Acho que hoje em dia, chamariam aquelas ‘ondas tiradas’ de bullying…

Aliás, metade da minha família é baiana e negra. Lembro de uma vez em que uma de minhas primas baianas foi passar uma temporada conosco em Fortaleza, na década de 90. Ela é linda, com 1.85m de altura, bem extrovertida e de chamar a atenção. Fomos a uma festa e de lá ela saiu aos prantos, pois havia sido insultada por ser negra.

Mas como o racismo é pandêmico, seria injusto tachar o brasileiro de racista, pois o mundo inteiro é racista! Nunca ouvi falar de um lugar onde nenhuma intolerância racial não tenha acontecido!
Na Espanha, eu e minha mãe fomos tratadas mal por sermos mestiças e sul americanas, o que é quase um crime em certas regiões espanholas. Em Portugal, fui tratada mal por ser brasileira e mulher (ou seria por ser mulher brasileira?).

Já percebi que a tolerância racial não aumenta no mesmo passo da globalização e dos relacionamentos interraciais. Na Europa, por exemplo, há um movimento chauvinista crescente, que às vezes me dá medo. O paradoxo é que, cada vez mais, vê-se casais de raças diferentes nas ruas, produzindo proles mestiças, como a minha. Que futuro espera por essas gerações que carregam a herança de várias etnias no rosto, na pele e no sangue? Torço para que seja um futuro que acomode a todos de maneira melhor e mais justa. 

Torço também para que o Brasil mude e regozije-se na beleza que é ser multi-racial desde sua raiz!

Finalizo esta reflexão com um trecho de um discurso de Haile Selassiê, Imperador Etiopiano, proferido em 1936: “…enquanto a cor da pele de uma pessoa for de maior importância que a cor de seus olhos, não haverá paz“.

 

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