Divagando Devagar

Divagações ocasionais de uma mente reflexiva.

Primeira Dama 26 abril, 2016

Filed under: Reflexão da Semana,Rotineiras — INEFFABILE @ 12:27 pm
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Achei bacana o movimento recente no Facebook identificado pela tag #belarecatadaedolar. Mais legal ainda é ler alguns textos inteligentes (e outros nem tanto) com justificativas e críticas ao movimento.

Pelo que sei, o movimento surgiu em resposta a uma matéria sobre a esposa do atual Vice-Presidente do Brasil, publicada na revista Veja. Não li a matéria; porém, estou achando muito interessante a oportunidade de expressão, discussão e debate que a publicação gerou.

Tem gente que continua a confundir feminismo com direito ao livre arbítrio, e combate a misoginia com misandria. Nestes casos específicos, há bastante desinformação e intolerância. Gente achando que discutir direitos humanos básicos significa doutrinação etc.

Estas reações demonstram mais uma vez a necessidade que alguns de nós têm de polarizar-se. Por exemplo, se eu não sou feminista, sou contra o feminismo e, por conseguinte, sou contra a mulher e, obviamente, sou misógina.

Noutro dia fui acusada por um conhecido de estar posicionada ‘em cima do muro’. Isto porque lhe disse não ser de direita e nem de esquerda. Obviamente, se não sou nem de uma tribo ou de outra, não tenho tribo alguma. Não ter rótulo hoje em dia é um grande problema…

Acho esta classificação das pessoas e do mundo tão simplista, quanto limitada e limitante.

Imagino adultos ensinando crianças que na vida, tudo é preto e branco. Enquanto mentes menos condicionadas, compreendem que entre o preto e o branco há um espectro multicolorido que inclui cores indistinguíveis aos olhos humanos (sem contar com a parte invisível do espectro, é claro). Imaginem só a beleza e complexidade disto! Os mais limitados parecem estar cegos para o fato de que entre o polo sul e o polo norte, há um mundo inteiro!

 

Voltando ao “Bela, Recatada e do Lar”, fiquei pensado em como seria a Primeira Dama ideal. Como seria esta mulher, se ela viesse a existir?

Para começar (e na minha opinião), ela não seria necessariamente bela em sua aparência, mas ainda assim seria um mulherão. Seria um ser humano forte, compassivo, generoso, ativo e inteligente. Seria uma referência para homens e mulheres de todas as idades, pois apreciaria e valorizaria a importância da Educação no processo de edificação do ser humano. Demonstraria a importância do trabalho em prol de uma sociedade mais justa, trabalhando. Poderia, inclusive, engajar-se em projetos sociais significativos, dar palestras em comunidades, instituições de ensino, eventos etc, sobre como é possível acreditar e construir, juntos, um país melhor. Ela teria um papel ativo ao invés de passivo.

Um tanto utópica esta minha Primeira Dama, não é?

Quando falam que a esposa do Vice tem o direito de ser o que bem quiser, como qualquer um de nós, eu até compreendo a reclamação. Por outro lado, quando alguém encontra-se em uma posição de influência, capaz de formar opinião, semear idéias, posturas e ideais, espera-se um pouco mais desta pessoa. Espera-se que ela tenha ciência do tamanho de sua responsabilidade e da oportunidade que tem nas mãos. Espera-se que ela seja uma inspiração não por sua beleza, roupas e sapatos, mas porque ela demonstra importar-se com a mensagem que passa através de suas palavras e ações.

Que qualquer pessoa tenha o direito de ser bela(o), recatada(o) e do lar, mas que este modelo não seja empurrado goela abaixo como um ideal de mulher adequada. Longe disto! Isto sim seria um grande retrocesso.

 

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