Divagando Devagar

Divagações ocasionais de uma mente reflexiva.

A Idade do Plástico  2 junho, 2016

Filed under: Reflexão da Semana — INEFFABILE @ 10:33 pm

Uma das coisas mais difíceis hoje em dia é livrar-se do plástico. Do sistema de canalização dos prédios às peças diminutas de diversos equipamentos domésticos: diria que não há lugar algum na face do planeta que não apresente sequer traços de plásticos. 

Para ter uma idéia da dimensão do problema, estamos todos tão expostos ao plástico, que é fato que quase todos nós apresentamos níveis de substâncias derivadas do plástico na corrente sanguínea! Louco, não?

Entender a relação entre o plástico e nós, como espécie, e com o resto da natureza, é uma área de estudo fascinante, que abrange da degradação ambiental severa causada por esta substância, ao design de microrganismos capazes de converter plástico em hidrocarbonetos.

Embora muitos dos impactos causados pelo plástico sejam conhecidos, pouco sabe-se ainda sobre seus efeitos no corpo humano. É fato que, de modo geral, o plástico representa uma enorme ameaça à vida; à toda ela. 

Eu me esforço para não adquirir mais produtos plásticos, mas é muito difícil. No momento, reconheço a impossibilidade.

O plástico é tão onipresente quanto a vida. Aí está o início da reflexão sobre o tema.

Após as Idades da Pedra, do Bronze e do Ferro, vivemos a Idade do Plástico

 

Sobre a violência sexual – Não, é não. 28 maio, 2016

Filed under: Rotineiras,Tormentas — INEFFABILE @ 10:09 pm

Andava a concatenar pensamentos e palavras nos últimos dias para escrever um texto sobre violência sexual em meu blog. Queria escrever sobre o que senti e sinto a respeito desta tal “Cultura do Estupro”. Nem sabia que havia um nome para esta tragédia social. Queria escrever sobre o impacto que a notícia do estupro coletivo da menina de 16 anos, no Rio de Janeiro, deixou em mim.

Já vi que tem gente de saco cheio do assunto nas redes sociais. Tem gente mudando de assunto, continuando a reclamar da corrupção no Brasil, fingindo que nada aconteceu, discutindo futebol ou compartilhando memes para reflexão.

Eu parei no tempo. Permaneci na tristeza de dois dias atrás. Permaneci com o mesmo sentimento de derrota, de fraqueza mesmo, que senti ao ler a notícia.

A cada texto e compartilhamento sobre o assunto, meu sentimento é de cansaço e de absoluta repugnância. Às Vezes, a sençação é de perda. E a pergunta que não quer calar é: o que fazer?

Esse medo é velho; o medo da violência sexual.

Sabe quantas vezes eu desisti e tenho certeza de que ainda desistirei de noitadas, viagens e muitas outras atividades só porque estive ou estaria sozinha por aí?? Mas a real razão por trás destas minhas escolhas é simplesmente uma: sou mulher. E como disse James Brown: “This is a man’s world”. Complemento a letra de sua canção: este é um mundo dos homens, onde mulheres são violentadas independente de credo, raça, idade, ou condição física ou social, todos os dias.

Qual mulher não teme ser estuprada ou abusada sexualmente? Qual??? E vou além: qual mulher não sofreu algum tipo de abuso sexual na vida?

Eu sofri. Como exemplo, cito o dia em que um terapeuta holístico se sentiu no direito de tocar em partes íntimas de meu corpo durante uma sessão de realinhamento de chakras. Homem deplorável.

O caso da garota carioca me fez lembrar do estupro da moça indiana de 23 anos há cerca de quatros anos, em Nova Delhi, onde 6 homens a violentaram dentro de um ônibus. Poucos dias depois, a moça veio a falecer em decorrência dos ferimentos.

Lembrei também da outra moça indiana, de 28 anos de idade, que foi violentada dentro de um ônibus e morta por dois homens diante da filha de três anos.

Lembrei da menina de apenas três aninhos de idade que foi violentada em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.

Da amiga francesa que foi a Istambul e lá pegou um ônibus com uma colega de trabalho. As duas foram intimidadas e tocadas por vários homens nojentos, sem poderem fazer nada por medo de agressão pior.

Da amiga brasileira que foi passear no Irã e lá quase foi apedrejada por vestir uma bermuda que revelara seus tornozelos.

Da colega que foi estuprada na Bahia, que engravidou do estuprador, fez um aborto clandestino e quase morreu vítima de uma carnificina médica.

Da aluna de uma amiga que foi estuprada há cerca de um ano e que veio a cometer suicídio há poucos dias.

Lembrei também de minha mãe, assim como de todas as mãe que conheço, que nunca deixou meu irmão pequeno ir a um banheiro masculino sozinho. Meus filhos também não vão.

Minha mãe também não me deixava ir ao botequim na esquina perto de casa para comprar pão sozinha. Mesmo sendo criança na época, eu ainda me lembro, com profundo nojo e horror, sobre como me sentia envergonhada e intimidada pelos olhares dos homens que lá estavam. Eles pareciam analizar o meu corpo de menina.

E como lembrei de minha irmã que uma vez me disse muito segura de si: “prefiro morrer do que ser estuprada!”.

São tantas as lembranças! São muitos os casos que ocorreram comigo, com minhas amigas, conhecidas, conhecidos… São tantas as notícias nos jornais todos os dias… Parece ser algo tão comum!

E me ocorre dizer que, talvez esta tristeza chamada violência sexual seja uma pandemia mesmo. Mas não é uma doença; não, não é. É algo pior: é pura malevolência. É mal e mau d’alma.

Tem muita gente – homens e mulheres – que dizem que feminismo é ‘mimimi’. À estas pessoas o meu profundo desprezo, pois são altamente egoístas e ignorantes. São pessoas que vivem fora da realidade por escolha própria, além de saberem bulhufas de história.

Voltando à minha pergunta: o que fazer? Bem, eu não sei. Acho de importância imprescindivel discutir abertamente sobre o assunto, colocar pressão seja onde for! Se quase todo mundo tem Facebook ou faz parte de alguma rede social virtual, então que informações úteis possam circular através destes meios de comunicação.

Mas é nas ruas, gente, nas casas, nas escolas, nos trabalhos que a pressão contra esta atrocidade deve se fazer presente em todos os momentos e que venha a produzir resultados. Que criminosos e cúmplices sejam punidos, que vítimas tenham vozes e que a cultura do estupro, tão presente no globo terrestre, seja destruída de uma vez por todas!

Eu faço a minha parte aqui. Faça você também a sua, pela honra e dignidade de todas as vítimas de crimes sexuais de todos os sexos, idades e nacionalidades.

Não, é não.

 

Sobre o suicídio 1 maio, 2016

Filed under: Reflexão da Semana,Rotineiras,Tormentas — INEFFABILE @ 8:32 pm
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Após receber a triste notícia ontem sobre o falecimento de uma amiga que não via fazia mais ou menos um ano, passei o dia de hoje refletindo sobre um assunto que é tabu: o suicídio.

Nos últimos 4 anos, foram três os amigos que tomaram a decisão de encurtar suas vidas. A cada partida, um choque imenso para quem ficou para trás.

Por mais que seja difícil, ou até, impossível, compreender o que passa na cabeça de uma pessoa momentos antes do ato do suicídio, só posso imaginar que a dor e o desespero do suicida sejam tão profundos, que viver torna-se absolutamente insuportável.

Sei que este assunto é altamente complexo, até porque, cada pessoa é um universo único, onde os caminhos sinuosos e confusos da mente e do coração se cortam, se cruzam, se entrelaçam, se abrem e se fecham. Da bioquímica do corpo humano às experiências vividas por cada um de nós, não há nada 100% sabido, muito menos garantido. Quando a gente menos espera, vem a notícia…

Meus três amigos eram pessoas alegres e cheias de vida! Como esperar?! Poderia eu ou alguém tê-los ajudado? Poderia algo ter sido feito para evitar tais tragédias?

A Guiana, país vizinho ao Brasil, possui o maior índice de suicídio do mundo. Neste ranking triste, figuram países muito pobres e muito ricos. A Organização Mundial de Saúde considera o suicídio uma pandemia, já que houve um aumento de 60% de casos nos últimos 45 anos.

Enfim, como disse, é um assunto muito triste e, por isso mesmo, percebo que seja uma espécie de tabu. Porém, se há algo que possa ser feito para ajudar as pessoas que consideram tirar a própria vida, seja por qual motivo for, creio que o primeiro passo seja conversar abertamente sobre esta questão.

 

Sebastian Bach 27 abril, 2016

Filed under: Rotineiras — INEFFABILE @ 8:41 pm

Hoje no caminho para o trabalho ouvi “In a Darkened Room“, do Skid Row e imediatamente fiz uma viagem de alguns minutos no tempo! Voltei a 1992, Hollywood Rock Festival, Rio de Janeiro. Eu tinha 16 anos, amava o Skid Row e era completamente alucinada pelo Sebastian Bach, meu segundo grande amor (o primeiro foi o Luke Skywalker). Consegui, com muito custo, convencer o meu tio a me levar ao Hollywood Rock junto com uma amiga.

Após o show do Extreme (com o maravilhoso Nuno Bettencourt), na terceira e última noite do festival, foi a vez do Skid Row subir ao palco. Perdi todo o resto da voz que tinha provavelmente no primeiro minuto do concerto, gritando enlouquecidamente, desesperadamente e incontrolavelmente ‘Sebastian!!!!!!’. Eu chorava, me descabelava e continuava a gritar. Meu tio até achou que eu estava tendo um ‘treco’, mas nada sabia ele sobre o que passava no coração de uma adolescente, fã de uma banda de rock, com um dos vocalistas mais gatos da época (a década de 90 teve destes aos montes).

Aquela noite, em que fiz meu debut em festivais de música, vai ficar para sempre marcada na minha memória. Minha ansiedade e empolgação em antecipação aquele festival só foram superadas em 1997, quando viajei a Abrolhos pela primeira vez e lá vi as incríveis e tão esperadas baleias jubarte. Sim, nada a ver uma coisa com a outra, a não ser o elemento extraordinário e especial.

Sebastian, I remember you.

 

Primeira Dama 26 abril, 2016

Filed under: Reflexão da Semana,Rotineiras — INEFFABILE @ 12:27 pm
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Achei bacana o movimento recente no Facebook identificado pela tag #belarecatadaedolar. Mais legal ainda é ler alguns textos inteligentes (e outros nem tanto) com justificativas e críticas ao movimento.

Pelo que sei, o movimento surgiu em resposta a uma matéria sobre a esposa do atual Vice-Presidente do Brasil, publicada na revista Veja. Não li a matéria; porém, estou achando muito interessante a oportunidade de expressão, discussão e debate que a publicação gerou.

Tem gente que continua a confundir feminismo com direito ao livre arbítrio, e combate a misoginia com misandria. Nestes casos específicos, há bastante desinformação e intolerância. Gente achando que discutir direitos humanos básicos significa doutrinação etc.

Estas reações demonstram mais uma vez a necessidade que alguns de nós têm de polarizar-se. Por exemplo, se eu não sou feminista, sou contra o feminismo e, por conseguinte, sou contra a mulher e, obviamente, sou misógina.

Noutro dia fui acusada por um conhecido de estar posicionada ‘em cima do muro’. Isto porque lhe disse não ser de direita e nem de esquerda. Obviamente, se não sou nem de uma tribo ou de outra, não tenho tribo alguma. Não ter rótulo hoje em dia é um grande problema…

Acho esta classificação das pessoas e do mundo tão simplista, quanto limitada e limitante.

Imagino adultos ensinando crianças que na vida, tudo é preto e branco. Enquanto mentes menos condicionadas, compreendem que entre o preto e o branco há um espectro multicolorido que inclui cores indistinguíveis aos olhos humanos (sem contar com a parte invisível do espectro, é claro). Imaginem só a beleza e complexidade disto! Os mais limitados parecem estar cegos para o fato de que entre o polo sul e o polo norte, há um mundo inteiro!

 

Voltando ao “Bela, Recatada e do Lar”, fiquei pensado em como seria a Primeira Dama ideal. Como seria esta mulher, se ela viesse a existir?

Para começar (e na minha opinião), ela não seria necessariamente bela em sua aparência, mas ainda assim seria um mulherão. Seria um ser humano forte, compassivo, generoso, ativo e inteligente. Seria uma referência para homens e mulheres de todas as idades, pois apreciaria e valorizaria a importância da Educação no processo de edificação do ser humano. Demonstraria a importância do trabalho em prol de uma sociedade mais justa, trabalhando. Poderia, inclusive, engajar-se em projetos sociais significativos, dar palestras em comunidades, instituições de ensino, eventos etc, sobre como é possível acreditar e construir, juntos, um país melhor. Ela teria um papel ativo ao invés de passivo.

Um tanto utópica esta minha Primeira Dama, não é?

Quando falam que a esposa do Vice tem o direito de ser o que bem quiser, como qualquer um de nós, eu até compreendo a reclamação. Por outro lado, quando alguém encontra-se em uma posição de influência, capaz de formar opinião, semear idéias, posturas e ideais, espera-se um pouco mais desta pessoa. Espera-se que ela tenha ciência do tamanho de sua responsabilidade e da oportunidade que tem nas mãos. Espera-se que ela seja uma inspiração não por sua beleza, roupas e sapatos, mas porque ela demonstra importar-se com a mensagem que passa através de suas palavras e ações.

Que qualquer pessoa tenha o direito de ser bela(o), recatada(o) e do lar, mas que este modelo não seja empurrado goela abaixo como um ideal de mulher adequada. Longe disto! Isto sim seria um grande retrocesso.

 

Sobre a Corrupção 4 abril, 2016

Filed under: Reflexão da Semana,Rotineiras — INEFFABILE @ 11:26 am
Nunca falou-se tanto (e tão abertamente) sobre o tema da corrupção no mundo; repito: mundo.
Pode-se dizer que o berço da democracia – Atenas, Grécia – seja também o berço da corrupção política. Aliás, o estado em que se encontra a Grécia atualmente (e há anos), tanto política como economicamente, é deprimente. Lá o nepotismo reside bem no cerne da questão.
Na Europa, outro país que é tido como muito corrupto é a Itália. Do Império Romano à Contemporaneidade, políticos corruptos parasitaram e influenciaram não só a história italiana, como também a do mundo.
Sob uma perspectiva evolucionista e sem idéias preconcebidas, qualquer análise simples da história das sociedades humanas, descortina personagens altamente corruptos que alteraram a trajetória da humanidade irreversivelmente.
Muitas vezes, tiranos e aproveitadores instigaram mudanças que levaram à manifestação de circunstâncias sociais mais justas. Um exemplo disto é a Revolução Francesa, que derrubou o sistema monárquico francês, pondo um fim nos excessos e péssima administração da realeza altamente corrupta.
Mas há também aqueles líderes que conseguiram afundar suas nações tão profundamente, que estas ainda sofrem com as consequências há décadas. Exemplos: Mohamed Suharto (Indonesia), Slobodan Milosevic (Iugoslavia), Alberto Fujimori (Peru) e muitos outros.
Se houver um índice para indicar o nível de corrupção em uma sociedade, este também traduz o grau de seu desenvolvimento da mesma quanto ao bem estar social da população, economia, educação, emprego/ desemprego, igualdade social etc. Não é à toa que os países mais desenvolvidos, tais como a Noruega, Dinamarca e Canadá, sejam também os menos corruptos. Digo menos porque nestes países há também corrupção, por menor que ela seja.
Agora chego ao ponto principal de minha reflexão: a corrupção é inerente à natureza humana, o que a torna praticamente impossível de ser extirpada da sociedade. Apesar de nem todo mundo ser corrupto, quase todo mundo é, seja de uma forma ou de outra.
Creio que o Brasil nunca deixará de ser um país corrupto. Mas creio piamente que seja possível criar um país cada vez menos corrupto. Para tanto, basta apenas superarmos o corrupto dentro de cada um de nós.
 

Há mais ciência em Beauvoir do que pode imaginar vossa vã filosofia 1 novembro, 2015

Ser ou não ser hetero.
Ser ou não ser homo.
Ser ou não ser homem.
Ser ou não ser mulher.
Ser ou não ser magro.
Ser ou não ser negro.
Ser ou não ser humano.

Ser ou não ser, eis a questão.

Não demora muito, William Shakespeare e sua obra ‘Hamlet‘ serão também duramente criticados, postumamente, em pleno século XXI, por incutirem dúvidas sobre a natureza humana na mente de indivíduos jovens.

Me façam o favor!!!

Eu não sei nada sobre Simone de Beauvoir, a não ser sobre o trecho polêmico de uma de suas obras, que criou um tremendo furdunço após o ENEM deste ano.

Tenha sua mente aberta por um momento e considere o seguinte:

1) “Ninguém nasce mulher: torna-se mulher“. FATO!
É uma questão de tempo.
Todo mundo nasce bebê, cresce e, se for do gênero feminino, TORNA-SE mulher na idade adulta. Da mesma forma, ninguém nasce homem, ora bolas.
2) “Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade“. FATO!
É uma questão de genética, de epigenética e do meio ambiente.
Apesar de cada indivíduo nascer com um conjunto de moléculas de DNA, é a combinação de fatores externos e internos que determina a aparência física e a fisiologia de cada indivíduo (fenótipo). Além do mais, nossos DNAs mudam ao longo dos anos.

E por falar em genética, saiba que boa parte dos livros de genética usados nas décadas de 70, 80 e 90 seria mais útil hoje em dia, se usada para fazer fogueira ou papel machê.

Para os que dizem que ser mulher é questão de nascer com dois cromossomos sexuais XX, aviso que há mais sexualidades entre XX e XY do que pode imaginar vossa vã filosofia!

Há também indivíduos com os seguintes cromossomos sexuais:

XO
XXX
XXXX
XXXXX
XXY
XYY

Aspectos filosóficos a parte, o que a senhora francesa escreveu faz todo sentido cientificamente.

Está na hora de parar de vez com esta caretice, chatice e ignorância.

Vista seu menino de azul, sua menina de rosa, dê um carrinho para ele e uma boneca para ela. Mas entenda que há uma diferença entre fato e crença, gênero e sexualidade. Seu filho ou sua filha será do jeito que quiser e puder ser. E que seja uma pessoa de bem e do bem.

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Be all my sins remembered“.
(Hamlet, William Shakespeare)